E é assim que venho me sentindo: desempenhando um único papel na vida - o de pai da Helena e da Beatriz. E é um papel que cabe tão confortavelmente no meu corpo que, às vezes, sinto medo de não conseguir vestir outro. Tenho pensado muito na profissão, nos meus desejos. E tenho sentido medo, medo mesmo, de não conseguir retomar tudo isso, por mais que a razão que, por ora, me impeça seja fonte de um amor profundo, sincero e sem limites.
Outro dia, Helena abriu um livro meu em que guardo uma rosa que Márcia nos deu na nossa primeira apresentação, em fevereiro de 2012. Era a semana anterior ao carnaval e aquela rosa encarnada me deu como que a sensação de um respeito por mim mesmo. Eu estava me respeitando, permitindo que fluísse pelo meu corpo um prazer sem adjetivos, de tão avassalador. Não consigo descrever a sensação de gozo que é estar em cena.
A rosa, dois anos depois, está já sem vida, adormecendo e desfolhando-se.
Minhas carnes estão me exigindo o palco.
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