quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

sempre quis escrever um blog, mas nunca tive disciplina para isso. as palavras quase sempre não respeitam o meu desejo e traem meus dedos, que recuam do teclado, como se tomassem a consciência de um crime iminente. escrever dói muito para mim. é uma tarefa que me exige a violência do dedo na garganta. me violento e me salvo quando escrevo.

2013 foi um ano embrulhado em sem-onde. passei o ano novo em arraial do cabo. não tinha pretensões para o ano que se abria. lembro apenas de, no silêncio de um mergulho, agradecer a deus pelo que havia aprendido com 2012, que também fora muito denso. a luz desvirginava a água e contribuía para que meus olhos ardessem ainda mais - ah, sim: preciso dizer que o mar exige que eu abra os olhos. tenho medo do escuro, tenho medo de me afogar. à noite, os fogos bordaram o céu e uma placa com 2013 em  vermelho irrompeu na areia da praia, iluminando a chegada do novo. olhava para ela e não sentia nada - nada. era apenas uma placa que esfriava com os ponteiros do relógio. e foi exatamente por não me dizer nada que 2013 exigiu de mim tudo, inclusive a escritura deste blog. preciso transformar esse enjoo que tem me dado "bom dia" há semanas em céu aberto e limpo. e, para isso, eu preciso escrever. não tenho como fugir: preciso escrever - torto, confuso, doído, mas preciso escrever. é uma necessidade - de vida.




Nenhum comentário:

Postar um comentário